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8 romances de

Denny Yang

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O Lago Khan , de Denny Yang

por Ubajara Guazzelli

 

 

 

publicado na revista VERBO 21

www.verbo21.com.br

 

No romance  O Lago Khan, escrito em 2005 e publicado em 2008, o jovem autor  Denny Yang faz uma narrativa cuja trama se desenvolve sobre um protagonista que segue o destino de uma viagem recebida como prêmio num sorteio de supermercado. Numa linguagem clara e dinâmica, proporciona ao leitor uma agradável sensação de estar viajando e acompanhando uma história, em parte baseada em fatos reais, juntamente com o protagonista. O próprio autor.

      Não se trata obviamente de uma autobiografia mas é baseado em fatos reais vividos pelo próprio autor. O livro é uma mistura de realidade passada somada à autoreflexões, cultura e ficção, narrados em primeira pessoa e com rico detalhamento das cenas. A obra ressalta as maravilhas de um destino dificilmente escolhido nas agências de turismo habituais como  viagem a passeio. Ele escolheu o destino baseado em um prêmio recebido em um sorteio de supermercado.O  Tibet. O Tibet é hoje uma província incorporada à República popular da China. Está localizado no planalto tibetano, a região mais alta do mundo. O Tibet histórico é dividido em diversas regiões. Curiosamentre à Leste está a região denominada Kham. Agora com  “M”. Talvez tenha inspirado o título. Não sei ao certo. Aliás, Khan na capa está de ponta cabeça. Como se fosse o reflexo de uma imagem observada ao olhar para as águas de um lago. Porém, ao contrário. Reflexão, sugere. O livro traz uma oportunidade cultural inestimável à crianças, adolescentes e adultos ao referir-se mesmo que sucintamente, sobre o culto religioso ao Budismo e os princípios de Dalai Lama. O famoso líder espiritual tibetano. São dele(Dalai Lama) esta e outras memoráveis frases : “Só existem dois dias do ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e outro se chama amanhã”. Simplista mas com um conceito muito real .

      É verdade que a narrativa traz um misto de tristeza e alegria em alguns momentos. Reflexões. Memórias. Dúvidas. Ou talvez, remanescentes de um período antes, durante e depois de uma grande dificuldade , vivida pelo autor em sua vida real. As perguntas que são feitas pelo próprio autor durante a narrativa são : E se eu não tivesse sido acometido por esta dificuldade? Aonde eu estaria agora? O que seria de mim? Todas fazem parte do contexto.

     Quanto ao conteúdo, muito rico em detalhes, narra a história de uma viagem ao Tibet na qual o protagonista, após remissão completa dos sintomas - segundo sua médica- de uma grave doença, recebe uma viagem como prêmio em um sorteio e procura realizar seu sonho de conhecer as lendárias paisagens do Tibet e seus templos sagrados, além do seu fascínio pelo Budismo e os princípios de Dalai Lama . A narrativa começa com o protagonista já dentro do avião, rumo ao destino. A maneira como ocorre a descrição do ambiente no avião, os sons do motor, bebida, comida e cochilos, faz com que facilmente nos coloquemos no lugar do  Sr. Shinyazaki. O protagonista. Dá realidade e dinamismo à história.  Já no avião, percebe-se a preocupação do personagem com o seu passado. A doença. Os seus amigos. Ou ex amigos. Conta o personagem que agora está curado e com completa remissão da doença. Os piores anos já se passaram . Há 7 anos. Ao ler sobre Cancun em uma revista de bordo o personagem recorda-se da ocasião na época da sua formatura na qual viajou com a turma de amigos para uma dessas viagens de jovens com finalidade de puro divertimento . E baladas.  O André, o Gui o Pablo, o Hans e o Juan estavam juntos. Além das garotas é claro. A Priscilla era uma delas.Conta das baladas, bebedeiras sugerindo que tenha sido uma fase muito legal da vida dele. Bons tempos. Segue a história relatando que após o primeiro ano da doença já não tinha mais amigos, nem viagens, nem vida . Com exceção do Luiz. Esse permaneceu fiel. O Luiz além de amigo também pintava quadros. Dizia ele que baseados no inconsciente das pessoas. Os outros se foram. E o tempo passou. Sete anos. De qualquer maneira, sentia-se orgulhoso por ter se recuperado da grave doença. Ao chegar no Tibet, dirige-se ao hotel e de lá logo sai à esmo pelos caminhos desconhecidos daquele lugar. À pé. Inicialmente procurava se aproximar de um Buda gigantesco avistado ao longe. Chegou até ele, após longa e descritiva caminhada ,fez uma homenagem a ele oferecendo-lhe uma flor azul –encontrada pelo caminho- e dele seguiu em direção a um lago que dali avistava no topo do monte. Era o Lago Khan, do qual a recepcionista havia falado,  dizia ser mágico, e tudo o que fosse perguntado a ele seria respondido em forma de uma imagem refletida em suas gélidas águas. 

     Ao encontrar o lago após difícil caminhada, iniciou uma sequência de perguntas relacionadas  aos porquês de uma grande dificuldade tê-lo  acometido em uma fase tão jovem da vida.

     À partir de uma das perguntas, uma imagem se forma no lago e uma história se desenrola no interior de uma boate da moda na época em que o protagonista era um playboyzinho endinheirado,freqüentador de baladas.  Juntamente com os amigos do personagem- citados desde o avião. A maioria deles desapareceram durante a fase aguda da doença- Shinyazaki  começou então a vivenciar aquela história de amigos, diversão e amor por uma menina chamada Sharon, sua namorada na época do colégio. Foram conversas e mais conversas durante a noite toda regadas à muito uísque, cerveja e tequila. Sharon não parava de elogiar Shinyazaki como se ele estivesse na melhor época da sua vida. O próprio protagonista às vezes se perguntava sobre o período de grande dificuldade pelo qual passou e  se realmente ele estaria bem agora. Remissão completa dos sintomas? Percebe-se claramente dúvidas e incertezas na mente do protagonista. Períodos de alegria, reflexão, tristeza e conformismo, entremeados pela felicidade evocada pela relação amorosa com Sharon.

     O Luiz, aquele amigo remanescente, o Hans, Pablo e sua namorada participavam ativamente da noite entre conversas, lembranças antepassadas, bebedeiras e beijos. Durante a noitada, Shinyazaki que na ocasião trabalhava numa holding oferece um emprego a Luiz. Era uma maneira de ajudá-lo e reconhecer o carinho e amizade que tinha recebido durante a fase ruim. Com os amigos Hans e Pablo, as conversas versavam sobre lembranças de épocas, viagens,  meninas e bebedeiras antigas. Da época do colégio.

      Ao final, o protagonista vai embora da boate com Sharon e sofre um acidente de carro em um túnel. Lembra-se apenas de estar ensangüentado e desmaiar. Ao acordar, Shinyazaki descobre que na verdade estava num hospital no Tibet e contaram-lhe que ele foi encontrado inconsciente e sangrando dentro do Lago Khan e havia batido a cabeça em uma pedra no fundo.

     Ao voltar ao Brasil, vai diretamente à sua médica perguntar-lhe se o que tinha ocorrido era um fenômeno mágico do lago, as respostas, ou era um remanescente reativado da doença do passado.

     A narrativa termina com uma visita do Luiz, seu amigo remanescente, que lhe oferece um presente de boas vindas. Um quadro. Pintado por ele. Para o protagonista , com evidente significado. Shinyazaki  então começou a contar ao amigo sobre a viagem ao Tibet.

O autor escreve a narrativa com riqueza de detalhes e nos faz prender a atenção durante toda a trama da história. Aliás, o autor é mestre em detalhes. Durante a narrativa de suas conversas, boates e bebedeiras, trajetos- avião- ônibus ao hotel- caminhadas- e memórias evocadas, percebe-se a riqueza descritiva dos seres animados e inanimados. Percebe-se que o autor tenta evocar sentimentos no leitor que o façam pensar sobre os sentidos que a vida pode tomar.

Este livro é um exemplo de que o esforço, inteligência e dedicação que fizeram o autor superar uma grande dificuldade,  citada no livro com toques de realidade vivida  e ficção,  trazem ao leitor períodos de reflexão ,procurando descobrir qual o verdadeiro sentido das nossas passagens da vida, sejam elas boas ou ruins. E saber que podemos superá-las. Com sabedoria. Como médico, sei das dificuldades passadas pelo autor. É adimirável hoje sua capacidade de escrever. E de superar.

     Recomendo a leitura do Romance O Lago Khan a todos que se interessarem por reflexão pessoal , sentidos da vida, dedicação, cultura, ficção. É completo. 



Ubajara Guazzelli - mnibio

Nascido em São Paulo em 1975, gêmeo,
estudou na Escola Morumbi e no Colégio Santo Américo.

Graduou-se em Medicina em 1999 .
Cursou 02 anos de residência médica em cirurgia geral e 03 anos em Cirurgia Plástica no Hospital dos Defeitos daFace em São Paulo.


Permaneceu Na California-USA por 4 meses em 2004 como Visiting Fellow in Aesthetic Plastic Surgery( Dr Garth Fisher, Bruce Connell, Malcolm Paul).


É membro especialista pela SociedadeBrasileira de Cirurgia Plástica.


Cursou Gestão em Saúde na FGV- SP como pós graduação.
Hoje vive em São Paulo e atua como Cirurgião Plástico na Clinica Nomina, Hospitais Edmundo Vasconcelos, Sírio Libanês e Albert Einstein.

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