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Denny Yang

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Isabelle, prefácio

por Luiz Antonio Aguiar

 

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Quando conseguiu finalmente publicar sua primeira novela, em 1951, justamente a mais conhecida, O apanhador no campo de centeio, o americano J. D. Salinger tinha em torno de 30 anos. É provável que a tenha escrito muito antes. O impacto dessa obra, que expressa todo o inconformismo de um adolescente contra o caminho, o papel e os limites, predeterminados para ele, dentro de seu meio e na sociedade americana da época, duraria algumas décadas. E teria ecos em grande parte do mundo ocidental, inclusive no Brasil, sendo um dos precursores do sentimento de estranheza do jovem diante da sociedade e de seu conservadorismo, que vai dar na rebeldia dos anos 60 e 70.


Ocorre que, em certa medida, também se poderia evocar aqui O ateneu, de Raul Pompéia, como uma novela dessa mesma linhagem, no que toca à rebeldia, ao impacto, à oposição do jovem ao estabelecido, e mesmo tendo em conta as enormes distâncias temporais e culturais que a separam do clássico americano. E isso porque numa ou noutra obra estaria muito bem colocada a frase: "... você tem que me perdoar, porque meu único objetivo aqui é colocar para fora todas as minhas inquietãções", encontrada em Isabelle, de Denny Yang. Aqui, a obsessão amorosa e dúvidas profissionais vão ocupar o que, no âmago do protagonista de Salinger, é um vazio exigente. Mas a ocupação do espaço não é suficiente para saciá-lo; então, recaímos na inquietude, na busca de algo tão universal que quase ficar fora de moda, de tempos em tempos: um significado para a nossa vida.

 

A Coleção Escritores Universitários, da FTD, mostra com este lançamento a vocação de ir ao encontro dessas obras inquietas, as primeiras de novelistas que retratam esse momento no qual o jovem se depara com um mundo que não parece hospitaleiro, e ao qual, por sua vez, ele não se vê tentado a ceder, a abrir mão de si, a incorporar-se passivamente. No caso, a alusão à novela O apanhador no campo de centeio, que muitos consideram o clássico por excelência da geração rebelde, não é apenas genérica, já que, neste Isabelle, há, sim, certa proximidade estilística e de posicionamento existencial.

 

Trata-se de uma novela em que, tendo a intuição a conduzi-la, vai se produzindo um tom progressivamente intenso, intrigante. E lírico. E há uma satisfação a mais... Quem sabe, de uma coleção como esta, esteja nscendo um clássico transformador, inspirador das novas gerações?

 

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