O caçador de cães
de Denny Yang
publicado originalmente na revista Corsário
Churrasco. Estou a fim de fazer um churrasco. Minha idéia mesmo era a de fazer um churrasco de cães. Dizem que dá boa carne.
Mas não faço isso. Isso, é apenas revolta de ter que andar sempre todo dia com cães. Pegando-os. Caçando-os. Tenho ódio mortal desses animais.
Pego minha lista, no banco de passageiro de meu carro:
1- schnauzer cinza
2- poddle branco
3- labrador golden
4- lhasa-apso dourado
E assim por diante, contando uns trinta itens. "Posso fazer um belo dum churrasco", eu penso. "Se eu pegar mais que um, hoje, é isso o que farei".
Nas ruas, vou vagando com meu carro e vendo esporadicamente a lista que eu fizera, com os cachorros e suas respectivas cores. Rodo e rodo, hoje não está dia para cachorro. Paro para tomar um café, no supermercado de céu aberto, quando... não é que eu olho um schnauzer cinza, passeando, sem dono, de aparência triste, como se fosse um vira-lata... é esse mesmo!
Saio de meu café sem pagar - esqueço até de pagar minha, nessas horas - quando eu pego o cachorro, ele não dá resistência nenhuma. Ódio mortal de cachorros, todo dia à caça deles...
- Entra no carro - eu grito para ele.
O cachorro, um schnazuer cinza, entra em meu carro e fica quietinho, sem saber seu próprio desfecho. Apenas eu sabia.
Vou direto até onde está o endereço na minha lista, ao lado de onde está escrito o número 1. Rua tal tal tal, número tal, apartamento tal.
A mulher que atende a porta fica emocionada, tocada, é sempre assim, pergunta "onde você o encontrou?", eu digo "no supermercado de céu aberto", ela diz "é ele mesmo", é sempre assim.
Ela me dá a recompensa em dinheiro, pelo menos tenho o que comer. Hoje vai ser churrasco. Eu sou o caçador de cães.


